domingo, 26 de janeiro de 2014

DOMINAÇÃO POR MI-MI-MI


Dias atrás vi surgir no meu feed de notícias do facebook: “Espero que antes de encontrar a pessoa certa você se encontre. Para que não a sobrecarregue com a ingrata responsabilidade de te fazer feliz.”

Uma reflexão que definitivamente motivou este texto!

Imagino que deva haver muitas pessoas nesta situação, com esta ingrata responsabilidade. Pensei nelas; no peso que carregam. Mas pensei também “no peso” em si.

Embora se apresente com muitas vertentes e perfis distintos, “o peso” traz uma característica comum: carência emocional excessiva que, de alguma maneira, prende o outro. É justamente no exercício dessa carência que se manifesta o seu “mi-mi-mi”.

“Mi-mi-mi” é aquela velha postura infantilizada de fazer bico, magoar, chorar por qualquer coisa, ser a eterna vítima, “ninguém me ama”, “ninguém me entende”, “nada dá certo pra mim”!

O ser humano nasceu para ser feliz. Quando chegou ao planeta, todas as condições já estavam criadas e elas não incluíam a ideia de que a felicidade de um dependeria do outro. As relações humanas interdependem e NÃO dependem! Há uma grande diferença.

A interdependência pressupõe reconhecer que você precisa dos outros para tudo e, se não fossem eles, você sequer existiria. Sem os seus pais, avós, bisavós, você não estaria aqui. Sem o agricultor, nada de comida e, assim, nada de barriga cheia. Sem o gari, nada de lixo recolhido. Sem todo mundo, nada de nada para a sua vida confortável! A equação é simples e lógica!

Já a dependência vai bem “na contramão” dessa equação! Quem depende é um porre! Se for um romance, no começo é até legal, pois parece prova de amor. Mas com o passar do tempo fica detestável. Esse passar do tempo às vezes é veloz e muito rapidamente a relação se apresenta como um fardo bem pesado.

Ficar forçando a barra, implorando atenção, viver em função de chantagem emocional, pressão psicológica, choros compulsivos, quadros de desestabilidade emocional, eterno muro das lamentações, chatice aguda em momentos delicados, entre tantas outras posturas lamentáveis, se não afastar, poderá sim levar o outro à dominação. A pessoa acaba incorporando a ideia de que é mesmo a responsável por aquela felicidade e, não querendo um mal maior, cede a tudo, sempre, e acaba dominado.

O preço é alto demais para todo mundo!

Para quem domina, a felicidade nunca será real. Haverá sempre a necessidade de se valer do “chororô”, do singelo olhar do Gato de Botas compondo aquela cara de coitado que ninguém tem coragem de contrariar.

Impossível ser verdadeiramente feliz assim. A sensação é de ter conseguido o que queria e isso satisfaz momentaneamente, mas não faz feliz.

Para quem é dominado, a satisfação pode até visitar seu ego no sentido de “sou insubstituível”, mas o desgaste pela sensação de estar amarrado e de ter sempre que ceder, acabará deteriorando sua capacidade de viver de forma prazerosa. Válvulas de escape passam a ser recursos bem aceitos nestas circunstâncias: embriaguez constante e mentiras para viver aventuras “calientes” são alguns exemplos.

Acreditar que alguém o fará feliz é até aceitável, desde que esse acreditar esteja acompanhado da necessária dose de realismo de que, caso não funcione assim, a vida continua sem grandes traumas, afinal, ninguém é de ninguém e o livre-arbítrio é uma realidade. Também é recomendável a plena ciência de que serão os esforços conjuntos que garantirão uma convivência saudável. Mas, acima de tudo, é muito bom que se saiba que nenhuma felicidade é permanente, assim como nenhum sofrimento, e atribuir ao outro a função de te fazer feliz é mesmo sobrecarrega-lo com uma responsabilidade das mais ingratas.

A felicidade é um prêmio! Uma vez merecedor, será feliz independentemente de qualquer companhia. Se você for capaz de resolver os seus próprios problemas, não será um problema para ninguém. Aí está o merecimento!

Alcançar satisfação pessoal por seus próprios esforços garantem que você seja um ser completo. Quando encontrar outro ser completo, a felicidade se manifestará de forma absolutamente real e natural.

Os problemas sempre existirão. Resta-nos aprender a ser parte da solução e, por livre e espontânea vontade e consciência, assistir o problema alheio para que todos vivam a interdependência na sua plenitude, sem ingratas responsabilidades.

Pare de “mi-mi-mi”! Não se esforce para ser odiado, detestado, indesejado. Se esforce para ser útil! Nessa utilidade a felicidade será sua grata companhia! ;)

Imagem: Gettyimages

1 comentários:

Mani Alvarez disse...

Muito bom, Juliana! o tal mi-mi-mi pode até ser engraçado -- e é! mas é real e muitas pessoas fazem uso dessa atitude para fugir da responsabilidade de uma relação adulta.

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