terça-feira, 12 de janeiro de 2016

KIRIKU E SUAS GENITÁLIAS



Há alguns anos fui presenteada com dois DVDs: Kiriku e a Feiticeira e Kiriku e os Animais Selvagens. O presente veio de uma sábia senhora negra. Ela é mais que uma amiga.

Os filmes me encantaram! O menino Kiriku foi criado para emocionar e vem cumprindo fielmente seu propósito. Cada vez que assisto, mergulho num universo muito particular de sensações vividas e sou surpreendida pelas soluções emocionais que ele apresenta para situações bastante delicadas. Minúsculo no tamanho, gigante na coragem e nas lições de vida.

Os filmes despertaram em mim um enorme respeito e admiração. Desses que nos fazem parar para saber mais quando vemos uma imagem, uma divulgação de peça de teatro ou uma nota nas redes sociais. Se o assunto é Kiriku, permito-me ao clique.

Há incontáveis aspectos que merecem aprofundamento, mas hoje senti necessidade de escrever sobre a naturalidade com que as genitálias de Kiriku e das demais crianças da sua tribo foram apresentadas no filme.

Vivemos num tempo intrigante. Ao mesmo tempo em que as questões sexuais estão completamente banalizadas, a negação ainda é extrema. Observe os desenhos animados e procure encontrar honestidade na representação da natureza fisiológica dos personagens. Quantos, dentre os desenhos que nos vêm sendo apresentados ao longo das nossas vidas, mostraram os órgãos genitais das crianças? E dos animais? Pênis, testículos, vaginas, mamilos. Nada é mostrado. Tudo é tabu. Bichinhos e crianças assexuados, essa é a ideia.

Eis que surge Kiriku com seu pênis e testículos naturalmente à mostra, como é e deve ser! Tudo bem que o filme retrata cenas da cultura africana. Mas se entendessem como um “desconforto” para o público e quisessem eliminá-lo, bastaria um tapa-sexo ou a simples supressão das genitálias para resolver facilmente o problema.

O que vejo na produção de Kiriku é um enorme respeito para com o público infantil e adulto, pois os filmes mostram não somente as genitálias das crianças, mas também os contornos de suas nádegas e as mamas das mulheres da tribo. O que é tratado com honestidade, respeito e de forma natural, chega com a lisura necessária, não agride e cumpre a sua função.

Adiar o momento em que as crianças serão apresentadas aos órgãos sexuais é um erro incorrigível. Ao contrário do que se imagina, não se está preservando a criança, mas sim limitando, despreparando e gerando um campo fértil para inconsequências. A formação sexual recebida até os sete anos cumprirá com louvor a função de fortalecer os laços familiares e a psique daquele ser humano em desenvolvimento. A desinformação, a omissão, a supressão das questões sexuais enfraquece, aumenta a curiosidade e afeta negativamente a forma como lidarão com a sua própria sexualidade.

Deixe chegar às suas crianças a informação que merecem receber. Se está na natureza, está certo, é como deve ser. Deixe que vejam como os animais procriam, como um parto acontece. Se lhes perguntarem, respondam com cuidado e honestidade. Permitam! Avalie se a educação que você recebeu foi suficiente para te transformar num adulto forte, seguro e sexualmente resolvido. Se a resposta for não, procure novos caminhos.

Ah! E não deixe de assistir Kiriku. Todos merecemos esse presente, principalmente as nossas crianças. Veja de coração aberto. É lindo!

Com carinho, Juliana! ...uma mãe.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

O PREÇO DA VERGONHA E A CULTURA DA HUMILHAÇÃO



Assisti recentemente à palestra “O preço da vergonha” de Mônica Lewinsky. Em 20 minutos ela conseguiu reverter em mim a imagem inquestionavelmente negativa que, há 17 anos, a mídia criou a seu respeito.

Num dos momentos da palestra ela diz que permaneceu sem se pronunciar publicamente pelos últimos 10 anos, mas decidiu quebrar o silêncio e explicou os porquês desta decisão.

https://www.ted.com/talks/monica_lewinsky_the_price_of_shame?language=pt-br

A palestra merece muitos elogios. É, no mínimo, ótima! Tão boa que me motivou a escrever novamente. Aborda, com sentimento, assuntos profundamente doloridos – cyberbullying, suicídio, depressão, humilhação, escracho em escala global – mas acima disso, desperta um olhar consciente sobre nossas escolhas... Escolhas feitas por amor e escolhas expressas em cliques.

Refleti muito sobre isso. Espero conseguir transmitir minhas impressões...

Graças aos avanços tecnológicos, estamos todos mergulhados num oceano de informações. Para onde olhamos, somos invadidos por imagens, vídeos, mensagens, sons. O que, disso tudo, nos prende a atenção? Depende das nossas preferências; do que nos causa alguma sensação relevante.

Facilmente constata-se que há muita preferência por tragédias, vexames, traições. Quanto maior o escândalo ou o estrago, mais atenção atrai. O problema é que por trás de cada episódio impactante há pessoas reais envolvidas. Suas vidas, sentimentos e saúde são duramente comprometidos por uma exploração irresponsável por parte de quem se interessa. E, honestamente, quem nunca se interessou por uma “desgraçazinha” qualquer? Quem nunca acrescentou sua dose de maldade gratuita a alguém que já está suficientemente exposto?

O fato é que há uma força monstruosa que gerencia esse interesse. A cultura da humilhação financia negócios milionários. Quanto mais cliques, mais propagandas são vendidas naquele espaço virtual, o que aumenta o consumismo e o lucro.

Mas satisfazer uma curiosidade (minha, sua, nossa) e deleitar-se com as sensações provocadas implica em ignorar o ser humano ali envolvido. Pode haver muita dor por trás de tudo o que a mídia mostra, inventa ou aumenta.

Somos “iscas de clique”. Iscas bobinhas, diga-se de passagem. E isso é tão sério! E é tão difícil não ser uma “isca de clique”. Mas é perfeitamente possível ter o controle sobre a nossa opinião, sobe o juízo que fazemos das coisas que nos são apresentadas. E mais: é necessário que paremos para nos observar diante do clique e das sensações provocadas depois de ter tido acesso à informação. O que lhe acrescentou? Você está melhor? Foi enriquecedor ou construtivo?

A ausência de compaixão e empatia, diz Mônica Lewinsky, tem provocado muitas mortes. As pessoas se matam depois de uma superexposição. Muitas vezes foram enganadas, filmadas sem permissão, perseguidas. Uma vez na rede, o planeta inteiro pode exercer seu livre-arbítrio e condenar ou demonstrar a sua compaixão. Lamentavelmente as condenações ainda são muito maiores do que as manifestações de compaixão.

Mas porque é assim? Para mim, uma das causas é o distanciamento. Na exata medida em que a rede nos aproxima, permitindo que nos comuniquemos ou vejamos em tempo real qualquer pessoa ou pedacinho do planeta, ela distancia nossos corações.

Temos nas mãos uma ferramenta fantástica de comunicação. Nossos celulares são capazes de conduzir a humanidade para um bem nunca antes visto. Somos os únicos responsáveis pelos cliques que escolhemos, pelas notícias que espalhamos, pelos vídeos que compartilhamos. As consequências de nossas atitudes virtuais acontecem em segundos. Que sejamos capazes de espalhar pelo mundo o que há de bom: ideias, soluções, esclarecimentos, reflexões que promovam uma higiene emocional em pessoas petrificadas por suas formas-pensamento.

Se você já se importa com a dor do outro e quer ser a mudança que deseja ver no mundo, atente-se aos seus cliques e observe-se diante das sensações provocadas. Ao identificar qualquer incômodo, prefira compartilhar duas (ou mais) boas notícias para cada tragédia da qual tomou conhecimento. Rapidamente você será um verdadeiro agente na melhora da qualidade da humanidade que está sobre a face desta Terra.

Ah!... Quanto às escolhas feitas por amor, Mônica pagou um preço bem alto. Mas o que fica para mim é a força com que hoje ela se apresenta. Sua experiência, sua sobrevida, a superação do colapso que arruinou não somente a sua carreira, mas principalmente sua reputação moral, e a forma como se conduziu em tal superação por quase duas décadas atribuíram-lhe um poder nunca antes imaginado. Poder este que ela tem usado para despertar consciência, compaixão, empatia, ou seja, através de Mônica Lewinsky, a vergonha e a humilhação, em seu mais alto nível, estão servindo à aproximação dos corações humanos.

Celebremos os despertares!



Imagens: Gettyimages e TED

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

RELACIONAMENTOS EM RUÍNA


Tenho sido convidada a saber de muitos casos de relacionamentos que não vão nada bem. Por onde quer que se olhe, lá está mais um casal em declínio.

As causas são inúmeras: o egoísmo, a frustração pelas expectativas não correspondidas, o desinteresse sexual, os romances paralelos, os vícios, os interesses de cada um que não encontram um bom termo. A lista é tristemente longa!

Briga e infelicidade. Discórdia e amargura. Irritação e violência. Agressão e raiva.

Há os que explodem. Há os que silenciam e acumulam. Mas todo mundo adoece, inclusive e principalmente os filhos.

Até os relacionamentos que aparentemente vão bem estão indo mal! Basta uma maior aproximação que facilmente se constata uma grande insatisfação. Às vezes nem é com o outro, é consigo mesmo!

Sempre há quem diga que essa visão é pessimista e recalcada. Preferem rotular quem escreve a enxergar a própria realidade. É compreensível! Dói demais se ver. É muito mais fácil negar e construir um cenário à base de tranquilizantes, do que enfrentar as consequências das próprias escolhas.

Estatísticas do Registro Civil da minha cidade: para a média de 20 a 25 casamentos a cada final de semana, 5 divórcios por dia! Casam-se 25, separam-se outros 25 casais em uma semana! Se casamento ainda está na moda, as separações estão competindo fortemente!

Mas porque os relacionamentos chegaram a esse ponto? O que fizemos das nossas relações afetivas?

A análise fugiria dos seus reais propósitos se abordasse todas as possibilidades, mas é possível afirmar que há um lapso ocorrendo com a maioria dos casais: o materialismo e a diversão como únicos objetivos.

Ao afirmar isso, despertei um profundo inconformismo: “Mas o que há de errado em um casal querer estabilidade financeira, conforto e momentos agradáveis de diversão e lazer? Pensei que era quase uma obrigação batalhar sua casa, seu carro, suas viagens, se esforçar para ter o melhor e garantir um bom futuro para os filhos!”

Realmente não há absolutamente NADA de errado com essa postura. Ela é excelente! Inclusive, todos os casais merecem alcançar tudo isso e muito mais! Só que não é só isso o que importa. Viver exclusivamente em função desse objetivo é uma atitude egoísta. Ainda que se busque o bem-estar da família, é egoísta.

Não fomos ensinados a olhar mais adiante. Na verdade, nem do lado. Perceber a necessidade do outro já é uma raridade nesse mundo corrido e competitivo. Dedicar-se a ajudar quem precisa é absolutamente utópico e pode muito bem ficar para depois.

O conceito de caridade que nos embutiram nos remete a um cenário de dó, de “gente feia” (porque “gente bonita” está se divertindo e desfilando o seu materialismo agudo), de coisas descartadas, de pessoas que poderão ficar nos incomodando, exigindo mais do que estamos dispostos a dar. Para não ter chateações, melhor deixar a caridade para quem gosta de fazer. As igrejas são ótimas nisso! “Deixa que o velhos fazem.”

A propósito: porque será que caridade é coisa de velho? Talvez porque tenham descoberto que “fora da caridade não há salvação”. Ainda que pareça um papo bem careta esse de “salvação”, seria muito bom olhar os velhinhos como pessoas que, com as limitações do seu tempo, viveram plenamente o livre-arbítrio e fizeram muita merda! Cada um com a sua cara de “bom velhinho” e “boa velhinha” pode ter sido um grandessíssimo filho da puta, manifestando egoísmo, raiva, ódio, ciúmes, inveja, como todo mortal que se prese. E depois de uma vida inteira de consequências, percebe que o fim realmente se aproxima e que olhar adiante se tornou a maior das utopias. O que lhe resta é olhar para trás e, por consciência, remorsos ou desespero, fazer algo pelo outro.

Mas voltando para os casais... Se não são, se esforçam MUITO para aparentar serem novos, lindos, inteligentes, com um ótimo humor e muito bom gosto. Na verdade, têm em comum a língua, que é afiadíssima. Diante deles, cogitar a possibilidade de um trabalho voluntário é ser tomada como ridícula. Mas surpreendentemente pode salvar uma relação.

Há pessoas de uma competência incrível que, com a maior facilidade, poderia resolver um problemão para uma entidade beneficente. Imagine a carência de profissionais especializados que essas entidades enfrentam?! O prédio e toda a parte de engenharia, arquitetura, decoração, hidráulica, elétrica. Soluções que economizam energia, que tornam o ambiente mais claro, arejado, fresco. A parte de informática, a comunicação virtual, o treinamento de pessoal, o suporte jurídico, a orientação nutricional das crianças e idosos, um relaxamento para os profissionais e pessoas assistidas, um teatro, corte de cabelo, cuidados odontológicos, pequenos reparos,... Ahhhhhhhhhh! Não é um compromisso eterno! É um começo, meio e fim bem feito que vale por uma vida! Preocupar-se com o bem-estar do outro e se beneficiar fazendo um trabalho bem feito. Nada mais!

Depois disso, a vida passa a ter outro sentido. A família passa a ter valor. O consumismo perde a função. Isso sim é batalhar um futuro melhor para os filhos! Deixar de consumir inutilmente é preservar o planeta que eles herdarão. Ajudar o outro se ajudando primeiro é ser conduta. Seu filho vai ser um babaca se só ficar atrás do que “tá na moda”. Desde as festas de aniversário, até a mochila, o tênis, os brinquedos,... Onde já se viu um personagem infantil estar ultrapassado? Eles são eternos! Perde-se a essência do lúdico e forma-se um “materialistazinho de meia pataca”. Depois reza para o filho ser feliz! Com que moral? Cadê os créditos para ter esse pedido atendido? Só porque você acha que merece?

Esse tipo de achismo é muito perigoso. A Mãe Natureza pode lhe reservar uma surpresa no percurso para despertar em você um lado que dorme profundamente.

Alguns casais já experimentam de plano a surpresa: trazem ao mundo filhos que se doam ao aprendizado dos pais. Emprestam-se a uma limitação física para resgatar a consciência espiritual adormecida daqueles que o amam. É lindo, mas muito dolorido!

Escrever tudo isso, ainda que seja visto com o tom da crítica, tem um propósito maior. Não me importarei com as contrariedades se alguém se sentir incomodado ao ponto de querer mudar para melhor.

Desejo, assim, que se incomodem profundamente para que sejam mais felizes e façam desse mundo um espaço melhor!

Espero, honestamente, estar fazendo um pouco da minha parte!

Imagem: Gettyimages 

domingo, 26 de janeiro de 2014

DOMINAÇÃO POR MI-MI-MI


Dias atrás vi surgir no meu feed de notícias do facebook: “Espero que antes de encontrar a pessoa certa você se encontre. Para que não a sobrecarregue com a ingrata responsabilidade de te fazer feliz.”

Uma reflexão que definitivamente motivou este texto!

Imagino que deva haver muitas pessoas nesta situação, com esta ingrata responsabilidade. Pensei nelas; no peso que carregam. Mas pensei também “no peso” em si.

Embora se apresente com muitas vertentes e perfis distintos, “o peso” traz uma característica comum: carência emocional excessiva que, de alguma maneira, prende o outro. É justamente no exercício dessa carência que se manifesta o seu “mi-mi-mi”.

“Mi-mi-mi” é aquela velha postura infantilizada de fazer bico, magoar, chorar por qualquer coisa, ser a eterna vítima, “ninguém me ama”, “ninguém me entende”, “nada dá certo pra mim”!

O ser humano nasceu para ser feliz. Quando chegou ao planeta, todas as condições já estavam criadas e elas não incluíam a ideia de que a felicidade de um dependeria do outro. As relações humanas interdependem e NÃO dependem! Há uma grande diferença.

A interdependência pressupõe reconhecer que você precisa dos outros para tudo e, se não fossem eles, você sequer existiria. Sem os seus pais, avós, bisavós, você não estaria aqui. Sem o agricultor, nada de comida e, assim, nada de barriga cheia. Sem o gari, nada de lixo recolhido. Sem todo mundo, nada de nada para a sua vida confortável! A equação é simples e lógica!

Já a dependência vai bem “na contramão” dessa equação! Quem depende é um porre! Se for um romance, no começo é até legal, pois parece prova de amor. Mas com o passar do tempo fica detestável. Esse passar do tempo às vezes é veloz e muito rapidamente a relação se apresenta como um fardo bem pesado.

Ficar forçando a barra, implorando atenção, viver em função de chantagem emocional, pressão psicológica, choros compulsivos, quadros de desestabilidade emocional, eterno muro das lamentações, chatice aguda em momentos delicados, entre tantas outras posturas lamentáveis, se não afastar, poderá sim levar o outro à dominação. A pessoa acaba incorporando a ideia de que é mesmo a responsável por aquela felicidade e, não querendo um mal maior, cede a tudo, sempre, e acaba dominado.

O preço é alto demais para todo mundo!

Para quem domina, a felicidade nunca será real. Haverá sempre a necessidade de se valer do “chororô”, do singelo olhar do Gato de Botas compondo aquela cara de coitado que ninguém tem coragem de contrariar.

Impossível ser verdadeiramente feliz assim. A sensação é de ter conseguido o que queria e isso satisfaz momentaneamente, mas não faz feliz.

Para quem é dominado, a satisfação pode até visitar seu ego no sentido de “sou insubstituível”, mas o desgaste pela sensação de estar amarrado e de ter sempre que ceder, acabará deteriorando sua capacidade de viver de forma prazerosa. Válvulas de escape passam a ser recursos bem aceitos nestas circunstâncias: embriaguez constante e mentiras para viver aventuras “calientes” são alguns exemplos.

Acreditar que alguém o fará feliz é até aceitável, desde que esse acreditar esteja acompanhado da necessária dose de realismo de que, caso não funcione assim, a vida continua sem grandes traumas, afinal, ninguém é de ninguém e o livre-arbítrio é uma realidade. Também é recomendável a plena ciência de que serão os esforços conjuntos que garantirão uma convivência saudável. Mas, acima de tudo, é muito bom que se saiba que nenhuma felicidade é permanente, assim como nenhum sofrimento, e atribuir ao outro a função de te fazer feliz é mesmo sobrecarrega-lo com uma responsabilidade das mais ingratas.

A felicidade é um prêmio! Uma vez merecedor, será feliz independentemente de qualquer companhia. Se você for capaz de resolver os seus próprios problemas, não será um problema para ninguém. Aí está o merecimento!

Alcançar satisfação pessoal por seus próprios esforços garantem que você seja um ser completo. Quando encontrar outro ser completo, a felicidade se manifestará de forma absolutamente real e natural.

Os problemas sempre existirão. Resta-nos aprender a ser parte da solução e, por livre e espontânea vontade e consciência, assistir o problema alheio para que todos vivam a interdependência na sua plenitude, sem ingratas responsabilidades.

Pare de “mi-mi-mi”! Não se esforce para ser odiado, detestado, indesejado. Se esforce para ser útil! Nessa utilidade a felicidade será sua grata companhia! ;)

Imagem: Gettyimages

domingo, 19 de janeiro de 2014

CANNABIS LEGALIZADA. E AGORA?



A legalização da maconha é um assunto polêmico. Em regra, quem apoia canabisa. Ainda que não canabise, o coletivo rotula como maconheiro e ponto. Algumas pessoas manifestam verdadeiro pânico acerca das suas consequências. Alegam que muitos jovens poderão se entregar ao vício pelo acesso facilitado à droga.

As justificativas políticas que levam os países a adotarem a medida são várias. A principal motivação é, sem dúvida, econômica. O alto custo dos tratamentos e seus ínfimos casos de sucesso, bem como o combate à criminalização (policiamento, sistema judiciário, carcerário,...) são exemplos de gastos exorbitantes do dinheiro público que não surtem os resultados minimamente esperados. Mesmo exorbitantes, tais gastos não se comparam à arrecadação tributária que advém da legalização da maconha. Há países em que a arrecadação de impostos será quatro vezes maior do que os gastos com tratamento e combate ao uso. Isto é incontestavelmente decisivo para a adesão dos governos!

Tanto o apoio dos usuários quanto o pânico dos que combatem a legalização apenas servem de base para as justificativas políticas. O fato é que a adesão dos países deverá crescer rapidamente, seguindo o modelo dos que inovaram.

Mas “e agora”? Cannabis legalizada, jovens tendo livre acesso, a indústria estimulando o consumo, os cofres públicos lucrando fortemente com o vício,... é o caos? Depende. Talvez seja o divisor de águas.

É fato que a maconha é a porta para o uso de outras drogas. Mas o álcool também é e está legalizado há décadas. O cigarro idem. A propósito, li que “a partir de meados do século XX, o uso do cigarro espalhou-se por todo o mundo de maneira enérgica. Essa expansão deu-se, em grande parte, graças ao desenvolvimento da publicidade e marketing”, ou seja, levou 60 anos para a sociedade viver o processo de recepcionar o charmoso cigarro, aderir ao vício, adoecer, reconhecer que mata dolorosamente e aceitar as limitações impostas a quem ainda fuma, como as áreas restritas e as imagens chocantes nas embalagens.

Um dos efeitos mais conhecidos do cigarro é acalmar o fumante. E a maconha? Canabisar provoca, entre outras, a sensação de bem-estar. O sujeito fica bem, esquece os problemas, experimenta momentos de profunda satisfação pessoal. Se o efeito passa e os problemas voltam a perturbar, ele canabisa de novo e se resolve, adiando por mais um tempo. Apresenta-se, portanto, um ser inativo!

Como em tudo, há exceções. Deve haver os que conseguem conduzir suas vidas de forma aparentemente normal fumando uma cannabis aqui e outra ali, mas muitos usuários estão se tornando inativos. Prova disso são aqueles indivíduos pouco produtivos, sem iniciativa (ou que só têm iniciativa, mas pouquíssima “acabativa”), que as empresas dispensam mais facilmente, que nada na vida dá muito certo, que giram em falso quase que permanentemente. São inativos. Apenas isso! Sempre foram assim? Necessariamente não, mas se tornaram ou se tornarão.

Muito diferente do cara batalhador, que se preocupa em ser útil, tem sonhos, objetivos, almeja independência financeira, preserva a saúde, valoriza a boa aparência, os cuidados com higiene pessoal, demonstra ânimo para viver e garra para resolver os próprios problemas.

O inativo não possui tais características, não entende porque não as possui, tampouco sabe como adquiri-las. Na verdade, tudo isso sequer importa. Diante de qualquer cobrança ou pensamento que o incomode ou traga desconforto, a cannabis se apresenta como a solução.

Resta, portanto, a blindagem das crianças. Elas terão chances se forem bem informadas e formadas dentro de um contexto de consciência e humanidade que as conduza para a natural espiritualização, independentemente da orientação religiosa. Saber das causas espirituais que a todos envolvem e fortalecê-las a partir desta compreensão.

Os pré-adolescentes já podem fazer suas escolhas baseadas no que lhes é apresentado. Têm livre-arbítrio e informação, mas raros são os que receberam formação. A estes está reservada a difícil decisão entre se divertir ou se tornar responsável.

Nasceram para ser responsáveis e humanos, mas dependem do que aprenderam até aqui.

A diversão pelo uso da maconha é uma escolha sedutora que poderá encurtar vidas consideravelmente, basta observar o estrago feito pelo ciclo do cigarro. Por mais que o ciclo da maconha tenha um tempo ainda desconhecido, é certo que a cannabis entra para o modelo industrializado do cigarro, à mercê do mesmo capitalismo tabagista.

Encarar a legalização da maconha como um divisor de águas é ser espectador de um cenário inovador, através do qual os usuários passarão a ser conhecidos. Sairão dos becos e das bocas para se emprestarem ao aprendizado coletivo. Que aprendizado será este apenas saberemos quando o ciclo da cannabis se cumprir.

O planeta já experimentou pragas, inundações, tornados, tsunamis, vulcões em erupção, geadas, incontáveis fenômenos que exterminaram parte da população mundial. Guerras também fizeram e ainda fazem esse papel. Mas em todos esses casos, inocentes e desavisados morreram sem opção de escolha.

Vivemos a era em que a morte precoce será uma escolha. É a seleção natural sustentada no livre-arbítrio.

Créditos Imagem: Gettyimages

sábado, 30 de novembro de 2013

2 ANOS DE PROJETO PHILAE


No aniversário de 1 ano do Projeto Philae, pedi para que "as necessidades se apresentassem". O público do blog aumentou e elas se apresentaram num volume muito maior do que os textos publicados. Mas os publicados é que valem.

Segundo a lição do livro Revelações 4 “A tradição oral morre com quem falou. Somente permanece aquilo que está escrito.”

Falei muito no primeiro semestre. Fiz palestras importantes para mim. Aprendi com elas.

Mas o que é dito morre com quem falou. : (

Mas eu escrevi! E o que escrevi, até aqui, permanece. : )

Então, eu prometo para mim que escreverei mais. Prometo por uma razão muito simples: porque consigo me emocionar com meus textos. Não que eu escreva brilhantemente, mas escrevo sentindo e como os sentimentos mudam com o desenrolar dos dias, quando releio, sinto novamente, com nuances e intensidades diferentes. Aí pondero: "se são capazes de provocar isto em mim, podem servir a mais alguém... vou publicar!"

E assim tem sido. E que assim seja!

Os dias que advirão guardam segredos e mistérios. Que eu possa observar e escrever sobre o que me couber, o que a mim se apresentar, se desvelar, de desenrolar, se desmistificar.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

O SONHO DO CASAMENTO


 
 
- Quando nasce, em uma mulher, o sonho de se casar?
- Quando ela é criança.
- Por que nasce?
- Porque sim! Porque todo mundo quer se casar! É assim, é normal, é uma tradição!
 
Talvez o sonho de se casar não nasça de forma espontânea.
Seria possível que todas as meninas manifestassem, naturalmente, o mesmo sonho?
É provável que ele seja construído nas meninas e que não seja necessariamente um sonho, mas um objetivo.
 
Soube que, num tempo distante, as mulheres, e somente elas, eram as verdadeiras herdeiras das terras. As mães transferiam a propriedade para suas filhas e isso era absolutamente natural e respeitado, porque todos sabiam que a TERRA e a MULHER guardavam, entre si, uma íntima relação: a fertilidade e a capacidade de dar e manter a vida.
 
Herdar a terra atribuía muito poder à jovem. Um poder que se manifestava, principalmente, na escolha do homem que com ela viveria.
 
Toda herdeira sabia que suas terras eram suficientes para garantir o alimento necessário aos filhos que viessem. Assim, pouco importava a riqueza que o homem trazia, pois ela se bastava. O que se buscava era a grandeza daquele homem, sua predisposição ao trabalho, sua conduta, seu caráter e, especialmente, seu nível de consciência e espiritualização. No fundo o que elas queriam era o melhor para os seus filhos; que herdassem essas características, ainda que desconhecessem as descobertas do nosso tempo sobre o que um material genético é capaz de transferir por gerações.
 
Mas algo mudou. A história nos mostra que o paternalismo passou a imperar e que os homens, valendo-se da força física, tomaram para si o poder de herdar a terra. Pai passando para o filho. Um fato que pôs fim à tranquilidade da mulher, pois não dependia mais dela, e sim do homem, a garantia do alimento das suas crianças.
 
Iniciou-se, assim, um quadro lamentável que se arrasta até os dias de hoje: a mulher deixou de escolher o homem pelo que ele ERA e passou a fazer sua escolha baseada no que ele TINHA, pois era a manutenção da vida dos filhos que corria risco.
 
A partir de então, um problema se tornou latente: homens que mais se aproximavam do animal reproduziram seu padrão genético por séculos, pois os herdeiros das terras herdaram também brutalidade, ignorância e muito pouco contribuíram em termos evolucionários. 
 
A humanidade perdeu e ainda perde muito quando uma mulher insiste em escolher o homem pelo carro que ele tem. Muitas vezes trata-se de um completo idiota, mas “se tem um carrão”, deve ter muitos outros bens e ela imagina que jamais passará privações.
 
Está convencionado que o rapaz deve atender alguns requisitos para ser um “bom partido”, o que se resume a TER. Assim, todos rumam para o mesmo objetivo. Uns são de fato herdeiros (ainda que também o sejam de uma ignorância histórica), mas muitos se constroem falsamente: financiam suas roupas, seu carro, suas aparições em festas, aprendem a se comportar da forma como se espera e, assim, entram para o rol de “bons partidos”, causando deslumbre nas mulheres, que persistem na ideia de que o importante é o patrimônio.
 
Os valores se inverteram a tal ponto que o desequilíbrio é geral. Nos olhos das herdeiras do passado via-se segurança. Nos olhos de muitas mulheres de hoje, apenas são vistas cifras ($$). Inclusive o amor virou uma questão de ponto de vista, pois, para muitas, o conforto e o status têm se mostrado muito mais interessante do que o sentimento.
 
Mas ainda há mulheres que priorizam o amor e que buscam uma relação feliz. Mesmo estas, e principalmente elas, não foram capazes de romper com o modelo utópico de casamento perfeito. 
 
Para quem acredita em reencarnação, é aceitável o sonho e o desejo intenso de casar-se de noiva para a mulher que, por exemplo, morreu às vésperas do casamento, com enxoval e vestido prontos, sem conseguir viver a experiência das núpcias e da copulação e que volta com expectativas criadas e não vividas, com um sentimento de algo incompleto, inacabado.
 
Mas para as mulheres que, em outras vidas, foram herdeiras, livres e seguras ou se casaram e viveram experiências terríveis de subjugação, violência por parte de maridos carrascos, limitações conjugais de toda ordem, podendo até ter sido queimadas na fogueira da Inquisição, a estas faz sentido o sonho do casamento, dentro do modelo superficial que hoje se apresenta?
 
Decoração da igreja, escolha do buffet, banda, DJ, vestido, daminhas e pajens, chuva de pétalas, clipe dos noivos, máscaras e plumas para o baile, foto, vídeo, blá blá blá, compõem o rol do que está “mais na moda” em termos de cerimoniais e NÃO de um ritual sagrado de união de vidas. O casamento não é mais arranjado para somarem-se as terras das famílias, mas não deixou de ser um negócio.
 
As mulheres perderam a herança e a segurança. Viram-se obrigadas à subjugação ao priorizar o patrimônio do homem em detrimento dos seus valores morais. Mas a vida, hoje, as aproxima da independência financeira que um dia lhes foi absolutamente natural.
 
Porque, então, continuar reproduzindo o padrão falido de casamento perfeito? O noivo, o vestido e a festa perfeita se desintegram diante da menor das dificuldades, pois o padrão que vem sendo reproduzido (e culmina no altar com todas as pompas) tornou as pessoas frágeis sob vários aspectos. Basta que se observe os índices de divórcios, litígios pela guarda dos filhos ou pensões alimentícias e congêneres.
 
Tudo isso apenas torna os homens cada vez piores, pois se estão detestáveis é porque as mulheres os fazem assim. O casamento, nos moldes atuais, é um padrão “Princesas Disney” que em nada contribui para a evolução humana e espiritual tão necessária para a felicidade que se espera.
 
Escolher o homem por quem ele é e unirem-se por amor, sim, sempre! Casar-se reproduzindo um padrão imposto, não mais! Ou algo no seu íntimo causará tamanho desconforto que a conduzirá para uma infelicidade profunda, carregada de males modernos.
 
Aproximar-se dessa consciência nos obriga a combater uma das grandes causas do sofrimento humano: acreditar que o conforto material é o que basta. Não basta e já não faz feliz há muito tempo!
 
Voltamos a ser livres!
Podemos fazer outras escolhas.
São elas que guardam a nossa verdadeira felicidade!
Acredite!
 

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

VIDA SEXUAL ATIVA AOS 12 ANOS?


As melhores conclusões acontecem quando menos se espera. Hoje à tarde, numa conversa despretensiosa, percebi como a distância faz estragos! Sob todos os aspectos.

Falávamos sobre a iniciação sexual precoce. Seria possível, aos 12 anos, uma menina estar pronta para iniciar sua vida sexual? Dificilmente (concluímos). Ainda que o seu corpo esteja formado, a atividade sexual acarreta em consequências sérias o bastante para adiar a decisão de perder a virgindade. O detalhe é que a maioria das meninas desconhece essas consequências. Conduzidas pelo comportamento da maioria, mantêm relações sexuais como mais uma etapa a ser cumprida por uma adolescente que se prese. Quanto mais “descolada”, mais cedo a experiência acontece. Acreditam que se bastam e, equivocadamente seguras, se lançam a um universo próprio das mulheres adultas.

Sei que já fiz essa comparação, mas preciso reforça-la: as frutas podem estar formadas, mas seu tamanho e aspecto não garantem que estejam maduras. Há um tempo necessário para que fiquem no ponto. Assim também acontece com as garotas. O desenvolvimento físico de uma pré-adolescente não representa maturidade para lidar com as consequências que advêm das relações sexuais. E tais consequências NÃO se restringem à gravidez indesejada e às doenças sexualmente transmissíveis. É um completo engano pautar as orientações sexuais exclusivamente por estes aspectos. São importantíssimos, não se pode negar, mas não são os únicos. Se houvesse a compreensão da máxima que envolve um ato sexual, não seria necessário sequer falar em DSTs e gestações indesejadas.

Durante a conversa, senti um pesar muito grande. Pude ver o desalento de alguém que não pôde evitar que uma menina tão nova se entregasse ao namorado, consideravelmente mais velho.

Trata-se de um incômodo de quem já teve acesso à informação e, portanto, a possibilidade de alcançar certa consciência. Acredito realmente que alcançou, que parte do véu da ignorância foi removido, mas DISTANTE da informação, acabou negligenciando com alguém tão próxima, que ama.

Foi nítido: não basta um dia ter ouvido. Ainda que se tenha recebido a informação e que tudo tenha feito muito sentido, se não houver a manutenção ou um relembrar constante, a consciência que parecia permanente vira um espasmo e a pessoa é arrolada pelas regras e comportamentos coletivos, passando a viver dentro dos mesmos moldes, aceitando o que todo mundo aceita e fazendo o que todo mundo faz.

A dúvida permaneceu: “o que será dela?” (da menina). Achei incrível como as circunstâncias estão se apresentando. Não se tata mais do conceito conservador da geração “nada pode” de que “a menina se perdeu e o rapaz terá que reparar o erro”. Trata-se, sim, da real possibilidade dela perder-se de si mesma. Nada garante que o romance perdurará, assim como não há qualquer certeza ou garantia de como será o seu comportamento sexual depois da primeira experiência.

Percebi que a dúvida de alguém que sabe o que uma relação sexual significa é peculiar. Fiquei feliz por sentir que ali se estabeleceu uma reflexão altamente espiritual. Chegamos, inesperadamente, ao que realmente importa: A REAL POSSIBILIDADE DE UMA MENINA PERDER-SE DE SI MESMA.

Nesse momento da conversa, já não importava mais quem negligenciou, se a educação foi falha ou até que ponto a convivência e os estímulos da mídia influenciaram na decisão da garota.

“Poderá perder-se de si mesma...”

Ecoando até agora, me fez escrever.

Perdida de si estará sujeita a sofrimentos, desequilíbrios, revoltas, extremismos, carências, descontroles emocionais. Poderá jamais saber as reais causas das suas dores, como tantas mulheres, ainda hoje, não conseguiram descobrir.

Furtaram-lhes a informação capaz de libertá-las.

Desejo que descubram. Só por isso, hoje, escrevi.


Imagem: Gettyimages

segunda-feira, 27 de maio de 2013

FIM DE RELACIONAMENTO: UM MOMENTO CRÍTICO



Todo fim de relacionamento, ainda que tenha sido um acordo de paz, se traduz numa falência. Os sentimentos são pesados, doloridos, cheiros de ranço. Para quem toma a iniciativa já não é agradável (pelo menos não deveria ser). O que dizer de quem recebe a notícia? Não importando muito as razões e circunstâncias, os fins acontecem.

Acordar no dia seguinte é o grande desafio. Se o sentimento for de leveza de alma, aleluia! Mas se o inconformismo estiver te consumindo, muito cuidado com as decisões prestes a serem tomadas! O momento é de recolhimento e não de superexposição. Postar suas vísceras nas redes sociais não é a atitude mais saudável, tampouco inteligente. Desferir sucessivas alfinetadas, indiretas com alvo certo ou adotar o papel de vítima, também não devolverá o início do relacionamento, onde tudo era bom e tinha reais chances de dar certo.

Ainda que os sentimentos estejam bem confusos e a oscilação entre amor e ódio seja real, vigiar os pensamentos é a grande chave, a grande sacada, o que de mais fantástico se possa fazer por si própria. Sem essa vigilância, num ímpeto de revolta, mesclado com dor, vingança e ódio mortal, atitudes lamentáveis podem ser cometidas. Um exemplo básico e clássico: “dar para o primeiro que aparecer”.

Se você já fez isso, seja honesta: o que você esperava da aventura sexual foi correspondido? Acordou fortalecida? Apagou da sua alma o sentimento amargo causado pelo fim? Ou a experiência só a inflamou ainda mais?

A lástima dessas situações de fim é a necessidade de tomar alguma atitude. Ela é provocada pelos palpites alheios e pelos próprios pensamentos perturbadores e recorrentes que aumentam o sofrimento. A única saída é fazer alguma coisa; qualquer coisa que promova outro tipo de sensação. Vale tudo! Dos porres fenomenais às aventuras sexuais.

Mas... e quando você sente que não deveria se comportar assim? E se você já tem informação sobre o que acontece com a sua psiquê quando vai pra cama com um cara sem gostar verdadeiramente? Aceitar mais um registro em seu corpo, em sua alma, só pela necessidade de provocar a mesma dor que está sentindo no outro não seria um tiro pela culatra? É como tomar veneno e esperar que o outro morra.

É preciso ser madura! É preciso valer-se da excelência da sua condição de mulher e recompor-se. Sair enlouquecida, à caça, bebendo, dando horror e postando tudo isso no “face” não fará de você alguém admirável. Por outro lado, não postar, mas adotar como regra o “na minha vida mando eu e agora vou curtir” precisa estar pautado no que o seu sentir e o seu corpo dizem que pode.

O fim de um relacionamento não traz manuais de instrução, assim como o início não trouxe. Cabe à mulher voltar-se para a reconstrução do seu corpo emocional. Depois de equilibrada e fortalecida, estará linda e pronta para o amor. Até lá, recolha-se, preserve-se, compreenda-se, respeite-se. Nada há a perder!

Imagens: Gettyimages

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

CARNAVAL DA PEGAÇÃO GERAL TOTAL E IRRESTRITA

 
Em pleno carnaval, não dá pra deixar de observar a postura coletiva de “tudo pode”. Tudo o que? TUDO! Pode beber, pode usar droga, pode viver aventuras sexuais de todo tipo, pode experimentar um parceiro, dois, muitos, beijar quem “lhe der na telha”, exagerar na exposição do corpo, adotar uma postura que jamais teria. Homem “liberando” geral e mulher “dando” geral, num quadro de pegação total e irrestrita. 
 
Mas quem disse que pode?
 
O inconsciente coletivo vem dizendo há décadas.
 
Salvo engano (e posso mesmo estar enganada, porque não pesquisei), uma festa cristã que servia como preparação para o longo jejum em função da quaresma, transformou-se numa orgia coletiva. Observe: se o jejum seria longo (40 dias), na pré-quaresma (hoje carnaval) comia-se fartamente para PREPARAR-SE para o período de restrições (era necessário estar nutrido para suportar). Mas com o tempo, passou-se a comer fartamente para COMPENSAR a perda que adviria (Putz... 40 dias! “Vamo detoná!”). Evoluiu-se para a diversão exacerbada, já que a quaresma guarda um respeito cristão e divertir-se nesse período seria condenável (Véio... 40 dias sem comer, dançar, chapar... Solta o som DJ!).
 
Primeiro a preparação, depois a compensação e, mais tarde, a diversão.
 
Eis que se chegou à “operação f@dª-se”. Ninguém mais se lembra do que motivou o carnaval, só se sabe que as máscaras e fantasias estão aí para quem quiser se camuflar.
 
Mas quem não quiser camuflagem, fique à vontade – diz o inconsciente coletivo – você é livre, pode tudo, pode mais, faça! Use camisinha, mas se não usar, tudo bem também! Afinal, chapado, zuado, louco, quem é que consegue colocar um preservativo? Quando vê (se é que vê), já foi! E aproveite para experimentar todos os tipos de sexo, com todos os tipos de pessoas porque na semana que vem a rotina chata e vazia volta e sua chance se foi. Toda essa fartura, só no próximo ano!
 
Até aqui, sem críticas. Estamos constatando fatos. Com consequências, mas apenas fatos.
 
Como “consequências”, não me refiro à gravidez indesejada, tampouco às doenças sexualmente transmissíveis. Isso todo mundo já sabe e subestima fortemente. Refiro-me aos desequilíbrios que compõem o pano de fundo da grandiosa festa do carnaval. Uma triste realidade de pessoas que buscam desesperadamente uma experiência mágica. Sabem que o sexo guarda sensações indescritíveis e fazem qualquer coisa para encontra-las. Mas não encontram... Sentem umas coisas loucas e estranhas, umas descargas de adrenalina, uma euforia, mas que nem de longe se aproxima da magia que se imagina.
 
Vive-se um cio permanente que, extrapolado pela permissividade coletiva, só faz aumentar a sede pela satisfação sexual que nunca vem. A busca é intensa, a experimentação é excessiva, mas de real mesmo, apenas o exaurimento. Magia e saciedade que é bom... NADA!
 
É tão pesado e dolorido que não dá para explicar neste post qual a magia. Já falei sobre ela e recomendo a leitura dos outros textos. Neste momento, apenas registro meu profundo respeito pela ignorância que assola uma nação. Dirijo-me especialmente às mulheres. Foram tantas amarras, surras, humilhações e fogueiras que a postura carnavalesca feminina torna-se perfeitamente compreensível. Difícil de aceitar e necessário combater essa ignorância, mas compreender sua origem é função.
 
Há poucas décadas mulheres morriam ao tentar manifestar sua energia sexual e suas convicções pessoais. A resposta dessas mulheres, através de suas herdeiras, ainda que num quadro de desvalorização do eu, está diante dos olhos do mundo e todos podem ver que a liberdade delas chegou.
 
Na absoluta contramão de tudo isso está uma gota de consciência que tenta se espalhar através de um grupo e alguns livros. Torna-se robusta a cada evento, aumenta e se fortalece no coração de algumas mulheres que ouvem atentamente uma informação que, se lhes toca e se aproxima da verdade pessoal de cada uma, torna-se fonte tênue de alívio e compreensão de si mesmas.
 
Da minha parte, compartilho: é lindo vê-las se compreendendo e se resgatando a partir das próprias forças.
 
A informação é comum a todas e óbvia, mas as avós nunca ouviram e, assim, nunca disseram para as mães que, sem saber, não contaram para as filhas.
 
Mas de alguma forma hoje falamos, discutimos, compartilhamos. De alguma forma, várias mulheres estão encontrando respostas. Não sei como, palestras vêm acontecendo e passei a poder falar pessoalmente, olhando para quem recebe a informação.
 
Não imaginava que seria assim...
 
Agradeço profundamente porque tentando ensinar, aprendo!
 
Imagem Gettyimages

sábado, 24 de novembro de 2012

UM ANO DE PROJETO PHILAE

 
 
O mês de novembro celebra o aniversário do Blog Projeto Philae. Há um ano ele foi criado cheio de boas expectativas e uma bela dose de incertezas. Adoravelmente as boas expectativas foram correspondidas e as incertezas superadas.
 
O conteúdo trabalhado até agora direciona o que virá. Tudo o que fizemos (não faço nada sozinha) rendeu MUITOS BONS FRUTOS. Não importando a maneira, sempre acabo recebendo algum tipo de retorno sobre o que escrevi ou falei e isso é muito importante porque me permite mensurar os resultados.
 
Já posso sentir uma considerável mudança. Silenciosa, mas considerável! Ela provém do alívio de algumas mulheres e da consciência alcançada por outras. Há muito trabalho pela frente. Muitas mulheres se somam a este propósito e isso fortalece e resgata o que há tempos se apresentava como irremediável. Remediar o irremediável é incrível! Ver os olhos das pessoas quando se deparam com o tipo de informação que tenho trabalhado traz uma satisfação profunda. Isso acontece porque digo o óbvio, mas que estava esquecido. É um relembrar! É como um acontecimento de infância revivido em detalhes a partir de alguém que te faz lembrar, porque para você nem mais existia.
 
Este Projeto me aproximou de muita gente, dos seus sentimentos, pelos quais guardo um profundo respeito.
 
Nos últimos meses tive a grata oportunidade de aparecer na mídia. Foram entrevistas para jornais e TV. Também pude falar em 3 palestras, para um público estimado em 400 pessoas, no total. Ainda que não consiga saber o alcance da mídia, avalio de maneira muito positiva todas essas atuações.
 
Mas os números que mais me encantam são as estatísticas deste blog. Seus bastidores reservam sorrisos inesperados. Os acessos se aproximam dos 10 mil cliques. Pessoas de vários países já passaram por aqui. Vejo a informação se espargindo e nada paga esta íntima satisfação. Sei que o mundo virtual não tem fronteiras e que os acessos poderiam ser infinitamente maiores, mas a considerar o tipo de informação que aqui se discute e a resistência que envolve tudo isso, prefiro imaginar uma plateia de 10 mil pessoas ouvindo o que um dia eu ouvi e me fez voltar para um ponto do qual jamais deveria ter me afastado.
 
Cada acesso me faz suspirar porque fico imaginando quem pode ter lido; que tipo de problema, dúvida ou insegurança essa pessoa carrega; no que a informação pode ter ajudado. Ainda que contrarie (ou enfureça, como já aconteceu), de alguma maneira a pessoa se viu.
 
Então, peço com todas as minhas forças que assim seja. Que o que tiver que ser, seja!
 
E com a vela de 1 ANO que sopro agora, vai meu pedido:
 
Que o Blog Projeto Philae avance na exata medida das necessidades que se apresentarem. Que cada clique desperte ao menos um átimo de consciência. Que cada mulher que por aqui passar se nutra e fortaleça, pois a sabedoria ancestral presente nas entrelinhas destes textos também está nela.
 
Ao Projeto Philae, muitos anos de vida!!!



Imagem: Gettyimages

sábado, 15 de setembro de 2012

CURAS ESPIRITUAIS E SENSO DE ETERNIDADE

 
Este post nasce de uma satisfação profunda. Acabo de assistir o Globo Repórter que apresentou o mundo das curas espirituais. Digo que minha satisfação é profunda pelo simples fato de ter visto médicos reverenciando a espiritualidade e a fé como recursos incomparáveis de cura.
 
Traduzindo meu sentimento: ATÉ QUE ENFIM!!!
 
Uma das chamadas do programa: “É cada vez mais evidente que a espiritualidade pode ser a chave para o controle da própria saúde. Médicos e pacientes aprendendo juntos que a cura depende de uma boa dose de entrega.”
 
Já vi, li e ouvi muito sobre curas espirituais, inclusive conteúdos muito mais profundos. Mas hoje, especialmente hoje, ouvir as seguintes colocações dos médicos foi música para os meus ouvidos:
 
"A gente não pode crer que o poder do homem, o nosso poder, é soberano. Seria uma falta total de coerência. Principalmente com as informações que a gente tem nos dias atuais", revelou o oncologista João Carlos Campos.
 
“Quando eu falo espiritualidade, eu defino como a busca do sentido da vida, independe de religião. Religião é uma coisa individual, e não pode ser abordada numa pesquisa científica”, afirmou o cardiologista Roque Savioli, que é coordenador da pesquisa do INCOR/SP.
 
"Então, a espiritualidade sai do subjetivo, ela sai de alguma aura muito pessoal, pra uma coisa que nós podemos determinar com números e validar através de procedimentos científicos", disse doutor Ricardo Monezi.
 
Observe: Há uma equipe médica do INCOR – Instituto do Coração de São Paulo, pesquisando as curas espirituais. Eles presenciaram TANTOS CASOS REAIS DE CURAS E MELHORAS INEXPLICÁVEIS que decidiram provar o poder da espiritualidade para explicá-las. Não é o máximo?
 
Tá! Ainda que você não ache o máximo, concorde comigo que é um MEGA AVANÇO, por favoooor!!!
 
 
Está convencionado que “se for espiritual” não poderá ser científico porque o científico afasta o caráter sobrenatural, ou seja, o que está além do natural. São incompatíveis porque o natural é passível de comprovação, mas o sobrenatural não e a ciência existe para provar e comprovar. Foi exatamente a partir dessa incompatibilidade que se formou o maior campo fértil para quem se serve da ignorância humana sobre sua existência espiritual. O planeta Terra é apenas um estágio na escala evolucionária; não é o fim.
 
Agora esse: 
 
Ora, porque a ciência afastou da compreensão humana a existência do espírito? Seria apenas para provar que os aspectos religiosos estavam errados? A humanidade aprendeu a negar enfaticamente “o espiritual” apenas e tão somente por causa de uma “implicância” da ciência contra as religiões?
 
E esse:
 
A inteligência humana alcançou um desenvolvimento tecnológico nunca visto, mas não foi capaz de conduzir o ser humano ao conhecimento sobre si próprio. As pessoas não sabem de si e são permanentemente induzidas a negar a presença espiritual que habita o próprio corpo.
 
Escrever isso é uma ousadia, uma petulância, é pedir para receber doses cavalares de hostilidade. Mas ao escrever, brota um sentimento tão mágico de esperança de que sirva a alguém, que é impossível permanecer omissa. Sinto uma espécie de obrigação em compartilhar e compartilho!
 
Outra coisa que MUITO me agradou no programa: não focaram uma religião específica. Falaram sobre várias e sempre se referindo à espiritualidade. ISSO PROVA, caros leitores, que a espiritualidade está presente em todas as religiões e em tudo na vida! E é a essa espiritualidade (total, geral e irrestrita) que me refiro nos livros que escrevo, ok? Não estou vinculada a nenhuma religião e não escrevo tendenciosamente. Apenas e tão somente escrevo o resultado das minhas impressões a partir das informações às quais tenho acesso, quer seja através de leituras, palestras, conversas ou conclusões pessoais.
 
Sou formada em Direito e trabalho com processos, com provas. Essa formação e a minha rotina me fazem racional o suficiente para eliminar o caráter “alienante” das falsas propostas espirituais. Se escolhi para a minha vida a aproximação e o trabalho com a espiritualidade é porque avancei muito na compreensão do SENSO DE ETERNIDADE que a todos deveria envolver. A negação dos aspectos espirituais fez parte da minha vida até os 25 anos e isso me permite compreender com clareza o que se passa com quem ainda nega. Embora um atraso no processo de melhora pessoal, é o exercício do livre-arbítrio. Falo por mim, por experiência própria.
 
Sei bem o que é negar o espiritual e ter uma vida tensa, estressante, carregada de ranço, de atitudes padrões que adoecem. Sei bem o que é “ter que fazer o que todo mundo faz” (o que está estabelecido como regra pelo inconsciente coletivo) por não ter opções de escolha (ou não ter capacidade de enxergá-las). Mas orgulhosamente digo que sei o que é dar um basta em tudo isso e viver a vida a partir das próprias verdades, ainda que isso desagrade uma parcela enorme de pessoas que, espero, um dia compreendam.
 
Quando digo SENSO DE ETERNIDADE, quero dizer exatamente isso: eternidade... você tem noção de que é um ser eterno? Preste bem atenção, porque eterno é “eterno meeeesmo”! Quando você morrer, seu corpo virará terra (como qualquer outra coisa que se decompõe) e o que anima esse corpo, que é a sua alma, o seu espírito, irá para onde? E mais... permanecerá fazendo o que? Por quanto tempo?
 
Esse questionamento foi o meu ponto de partida para a aproximação com as causas espirituais. Não vivo em função disso. Muito pelo contrário! Trabalhando, cuidando de uma criança (que já tá moça), pagando contas, administrando agendas, escrevendo livros, blogs e etc, não dá pra ficar emitindo mantra o dia inteiro. Mas a permanente compreensão de que a espiritualidade está em tudo é inegável para mim.
 
Quando “minha ficha caiu” para o fato de que a vida continua depois daqui, naturalmente me questionei sobre o que eu ficaria fazendo “na eternidade”. Ainda que seja o paraíso, pensei: “Puta chatice!”. Vá para um SPA 5 estrelas e fique lá uma semana. Delicia! 1 mês... 1 ano... 10 anos... “Viu, vai longe isso aqui? Vai... terá a duração da eternidade!” Afff... De pronto compreendi que não é assim que funciona. Pouco provável e muito cômodo.
 
Cada um vive de uma maneira. Uns no maior esforço, ralando, outros na maior farra, folgando, uns de forma solidária, outros “filhadaputamente”, nem vou falar de barbáries, crimes e atrocidades. E no fim é céu ou inferno com um estágio no purgatório? Para mim não deu. Essa proposta ficou vaga demais. Além do que, já reuni as PROVAS E CONTRAPROVAS que precisava para ter a pessoal certeza de que a vida não acaba aqui e de que essa outra possibilidade, a teoria “de fim”, é furadíssima. Aliás, fiquei muito feliz compreendendo as reencarnações (o pouco que sei). Encontrei muitas respostas e senti uma paz nunca antes experimentada.
 
Embora tenha essa compreensão como a minha verdade, aprendi a respeitar todas as outras compreensões e crenças. Até porque, tudo o que se imagina existir, de fato deve existir. Cada um na sua, com seus plantios e colheitas e tendo Deus e a Mãe Natureza na condução dos dias de cada um dos seus filhos.
 
Para hoje, durmo com a satisfação profunda do início do texto reforçada pelo alívio de poder compartilhar um pouco das minhas verdades. Que esta “operação meu diário” lhe possa ser útil.
 
 
 

 
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