sábado, 10 de dezembro de 2011

BEBO COM MEU FILHO


Tornou-se normal ouvir mães contando as aventuras dos seus adolescentes: porres fenomenais, festas intermináveis, viagens de galera, noitadas com várias meninas diferentes, beija-beija em festa, em churrasco, em piscina, altas compras, insistentes rituais de beleza e tudo o mais que a criatividade permitir. Uma busca insaciável pela diversão com glamour!

Independentemente do poder aquisitivo, todos vivem um padrão semelhante porque tanto a fortuna herdada quanto a pirataria permite o acesso a bolsas, tênis, camisetas e bijus que constroem o status e o ego. Um universo em que a precocidade reina e a versatilidade de idéias proporciona experiências indescritíveis.

No que se refere às mães, algumas se tornam espectadoras apreensivas, enquanto outras entram na frequência dos filhos e adotam o que eles fazem (pensam e dizem) como conduta. O discurso é mais ou menos o seguinte: os filhos estão antenados, sabem tudo sobre tecnologia, são fotogênicos, as redes sociais fizeram deles celebridades locais e as mães que não viveram todas essas possibilidades na própria adolescência, ou pretendem revivê-las, deparam-se, agora, com essa grande chance de se projetar nos filhos. Algumas se dobram: “Se não posso vencê-los, junto-me a eles”. Mas há aquelas que sequer pensam; simplesmente adotam as cabeças dos adolescentes como suas e partem para as experiências e para o apoio incondicional ao que eles ditam como regra.

Nesse contexto é que se insere a frase: “Sou moderna! Bebo com meu filho!”. 

Pode ser num churrasco em família (ou não), num “esquenta pra balada” (na sua casa) ou num momento fim de tarde; sempre é ocasião para beber alguma coisa e “fazer uma moral com o filhão”. Assim o filho fica satisfeito (porque tem aval) e a mãe permanece próxima, vivendo um pouco do que ele vive. Digo ele, mas serve (e muito) para elas, as meninas, também. As consequências? Hum... Prefiro descrever uma situação puramente masculina antes de envolver as mães na análise das consequências. Sim, porque estamos analisando juntas, não estamos? Não há julgamentos até aqui. Há uma exploração de fatos e, agora, de consequências, passíveis de discordância. Observe:

Não raramente, o vício nasce como uma regra cultural e familiar. Por gerações, avôs, tios e pais bebem em festas ou em qualquer oportunidade, perpetuando a “tradição”. O cérebro físico de um adolescente, ao experimentar o álcool, começa uma busca permanente em relação aos prazeres, porque quem bebe pela primeira vez, fica com a sensação de profunda leveza, o que faz com se esqueça dos problemas. Entra-se num estado alterado de consciência, de profunda satisfação, graças à dopamina, que é quem faz esta sinapse no cérebro. Ao cair na corrente sanguínea, envolve o corpo todo. (Revelações 3, Trecho de “O Efeito das Drogas”)

Tratam-se, portanto, de reações espontâneas do corpo (químicas e hormonais), sobre as quais se perde o domínio após a decisão de beber. Até o momento de levar à boca, a escolha é pessoal. Depois de ingerido, o corpo assume o controle, passa a liberar hormônios e a reagir ao estímulo do álcool. Se os homens da família incentivam o consumo de bebida alcoólica, a mãe pode se opor porque tem forças suficientes para isso.

A força que emana da mulher, convincente e transformadora, não é física; é emocional. Do coração da mulher emana sentimento, enquanto ela pensa. Mas a mente só vai dar a ela duas opções: certo ou errado. Na dúvida, na incerteza, estará pensando com o coração. (Mulheres: Mães e Reeducadoras dos Filhos de Hórus, Trecho de “A Força Transformadora”)

Mas se ela bebe junto, quem fará o seu papel? Ainda que outra mãe o faça, em algum momento ela será visitada pelo sentimento de falência, de fiasco, de fracasso. Não sou eu, é o Ministério da Saúde que adverte que os excessos (fumar, beber, usar drogas) fazem mal à saúde. Há campanhas mundiais contra esses hábitos. A Legislação Brasileira prevê pena (xilindró) para quem vende bebida alcoólica para menores. No entanto, nada disso seria necessário se as mães tivessem alcançado (e exercitassem) uma consciência mínima.

Beber com seu filho ou valorizar seu lado "escroto" é jogar na lama a confiança que Deus depositou em você quando lhe permitiu engravidar e dar à luz um filho Dele. Ele acreditou que você o reeducaria. Certamente não esperava vê-la enaltecendo e incentivando as aventuras inconsequentes e os excessos dos Seus filhos.

Mas nunca é tarde para uma auto-avaliação. Reveja a lista do início (porres fenomenais, festas intermináveis, viagens de galera, noitadas com várias meninas diferentes,...), acrescente suas próprias experiências, situe-se e, de forma criteriosa e honesta, reconheça quais valores você tem cultivado nos filhos que trouxe ao mundo. Seja meio para que boas mudanças aconteçam. Aja sutilmente, mas não peque por conivência. Os estragos são, na maioria das vezes, irremediáveis e a culpa, uma indesejável companhia.

Imagem: Gettyimages

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