quinta-feira, 17 de novembro de 2011

INCONSCIENTE COLETIVO


Procurei no Dic Michaelis: inconsciente – que age sem reflexão; coletivo – conjunto de muitos indivíduos da mesma espécie. É, portanto, da falta de consciência coletiva que nasce o “inconsciente coletivo”. Seria simples se não fosse cruel.

O inconsciente coletivo é um dos grandes responsáveis pelos maiores sofrimentos humanos. Ele exerce forte influência sobre a vida das pessoas, o que inclui a minha e a sua vida! Um exemplo clássico: quem disse que, para ser feliz, uma mulher precisa namorar, noivar, casar e ter um casal de filhos? O inconsciente coletivo disse e diz a todo instante através de cada um de nós.

Sem perceber, reproduzimos padrões estabelecidos há séculos e depositamos sobre os ombros alheios toneladas de cobranças e críticas: “e aí, tá namorando?” “casou?” “já estão pensando em ter filhos?”; ou então: “nossa, você nunca mais namorou firme, né?” “não está conseguindo engravidar?”. E o pior é que, em contrapartida, recebemos idênticas cobranças e críticas, só que em cargas cada vez maiores, proporcionais ao tempo que passa. Isso adoece quem realmente não está conseguindo fazer ou ser o que esperam. 

A resultante é uma pressão psicológica, muitas vezes camuflada em insinuações, que pode desembocar numa depressão profunda, num quadro de ansiedade, apatia, desespero, pânico, surto psicótico ou qualquer outro mal moderno. Não importa qual nome se extraia da quilométrica lista de males modernos, todos apontam para uma única palavra: desequilíbrio.

Parece exagero? Observe o comportamento e o “nível” de felicidade das mulheres com as quais convive. Não importa se críticas ou criticadas, na ânsia por escapar dessa pressão, muitas cometem verdadeiras loucuras e tomam atitudes lamentáveis, casando-se ou não.

A proposta é aproximar-se do sofrimento da outra e compreender que muitas das escolhas dela foram feitas com base no que está estabelecido pelo inconsciente coletivo e não porque verdadeiramente desejou. Entre enfrentar ou ceder, percebeu que somente seria apoiada se cedesse e optasse pelo que esperavam dela. Se hoje é feliz? Melhor não falar sobre isso.

Mas que bom seria poder perceber que existe sim essa “voz silenciosa” que a todos influencia e conduz. Melhor ainda seria aprender a lidar com essa estranha força que mais faz sofrer do que faz feliz. O inconsciente coletivo é real, tem várias vertentes e está presente em incontáveis exemplos. Estamos todos sujeitos (homens e mulheres) e insistimos em fortalecê-lo sem nunca priorizar a consciência necessária.
  
Imagem: Gettyimages

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